Um dos maiores especialistas em eSocial do país esteve em Toledo nesta terça-feira (8), a convite do SESCAP-PR, para ministrar um curso sobre rotinas trabalhistas e o novo Departamento de Pessoal, justamente em função da entrada do novo sistema de controle, na opinião de Gilson Gonçalves, “o maior sistema de cruzamento de informações” já criado no Brasil. “É o fim do jeitinho”, sentenciou.

Segundo ele, histórias como fechar folha de pagamento dia 25, afastamento, começar férias quando, demissão, doenças, acidentes, admissão com data retroativa ficarão no passado. “Será tudo rigorosamente controlado através de arquivos enviados ao governo”, disse.

Num primeiro momento, explica Gilson Gonçalves, foram criados 45 arquivos com informações sobre tudo que acontece na empresa. “A ideia é acabar com a fiscalização presencial, onde o fiscal ia até a empresa observar o cumprimento da lei. Com o eSocial é ao contrário: as empresas têm um prazo curto para enviar estes arquivos e os ficais vão verificar de maneira eletrônica”.

E justamente por causa desta fiscalização de forma mais eficiente sobre alguns procedimentos forçam uma mudança. “É uma mudança de comportamento muito grande”, comentou o especialista, ressaltando ainda que os próprios contadores também não estão preparados para essa mudança.

“O eSocial não mudou nenhuma lei trabalhista. As leis continuam iguais. O problema é que as pessoas não conhecem as leis”. Ele cita que antes de cada curso realiza uma pequena prova com informações básicas sobre a lei trabalhista e, para sua surpresa, alguns dos participantes “zeram”.

Essa deficiência o assusta e o preocupa “porque o conhecimento destas pessoas sobre a legislação é pequeno”, ainda mais diante da “cobrança absurda” advinda do eSocial. “É uma fiscalização eletrônica super rigorosa e muitos profissionais não estão preparados”, acrescentou.

NOVA REALIDADE

Outra grande mudança, na visão de Gilson Gonçalves, é que os clientes estão acostumados a “dar jeitinho” e isso não será mais possível. Para evitar alguns problemas, ele elaborou uma cartilha com um termo de responsabilidade. “O contador faz o link com o governo, mas quem tem de fazer o link com o contador é o cliente, que tem de levar as informações para serem repassadas ao governo”, frisou, lembrando que hoje a prática é inversa, ou seja, “o cliente está acostumado com o contador buscando documentos na casa dele e isso precisa mudar porque alguns prazos são curtos e se essa informação não chegar é um problema”, destacou o especialista, citando ainda o alto valor das multas a serem aplicadas no caso da falta de informação.

“Cada um precisa fazer sua parte e o governo vai fiscalizar o ato de todos”, finalizou.